quinta-feira, 28 de abril de 2016

Uma realidade incoveniente. O olhar indigno sobre a dignidade alheia.



          O lugar do outro, ninguém quer. A dor que dói no fulano, não é a dor que quero pra mim. Quem nunca passou fome, não pode falar de fome, não sabe o que é. Quem nunca padeceu de falta de oportunidade não pode julgar quem nunca a teve, não sabe dessas ausências. Ausência de tudo, ausência até de dignidade, não que quem vive na pobreza seja indigno, não é isso, mas viver de uma maneira que ninguém merecia viver, isso é indigno. 
          Eu jamais poderia julgar quem recebe bolsa família, pois sei que este é o único garantidor de alguma dignidade mínima para milhares de famílias pelo Brasil. Dizer que são  migalhas é muito fácil, dentro da minha "dignidade" conquistada, as vezes com trabalho duro, reconheço, pois então, se isso é mísero, e pouco, como incomoda tanto, quem não precisa dele. Por que causa tanta indignação (olha a dignidade aí de novo), o governo repartir um pouco, um quinhão, aos menos favorecidos. Que falta fará aos outros brasileiros que dele não precisam, já que é tão pouco? Será que não é porque é muito pouco, então as pessoas ficam revoltadas por o governo dar tão pouco aos mais pobres? Mas eu não vejo ninguém dizer que é pouco, que é insuficiente, mas que é para vagabundos que não querem trabalhar (o que em raros casos, talvez seja verdade), mas esmagadoramente, é o complemento da comida mínima sobre a mesa, é um sabão para lavar a roupa, que antes era lavada sem ele, é um leite para as crianças, pelo menos no início do mês, depois é esperar chegar o próximo. Todos sabem que não dá pra quase nada...
          Brasileiros, vamos colocar nossas consciências para funcionar, e se não fazemos a nossa parte em dividir o quinhão a cada um, deixemos o governo fazê-lo. Não caia nessa falácia de criticar quem tem bem menos que você. Agradeça a Deus, todos os dias por você não precisar.

                         Manoel Augusto

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